As Irmãs dos Pobres do Brasil, do Instituto Palazzolo, viajaram para Chiclayo, no Peru — cidade ligada à diocese onde o Papa Leão XIV exerceu seu ministério episcopal.


Ali nos encontramos com todas as irmãs do Peru, e também com a Madre Geral e a Madre Vigária. Demos início à nossa Assembleia Anual: uma assembleia de verificação, de formação e de projeção do trabalho que realizaremos nos próximos seis anos.
Tivemos como base um manual de orientações para completar o nosso projeto comunitário. Esses orientamentos estavam divididos em três unidades temáticas:
Em caminho com Jesus – a vida interior;
Em caminho com as irmãs – a vida fraterna;
Em caminho com a humanidade – a missão.

Foram dias de intenso trabalho: momentos pessoais, partilhas em grupo, escuta e aprofundamento. A Madre apresentou também um tema muito importante sobre interculturalidade, cultura e inculturação — assuntos essenciais para a vida consagrada hoje.

Ao falar sobre cultura e inculturação, a Madre recordou uma frase muito significativa do cardeal Carlo Maria Martini: “fermentiamoci a vicenda” — “fermentemo-nos uns aos outros”. Destacou a importância do encontro com o outro. Quem é o outro? O outro é um lugar teológico. O que acontece dentro de mim através do encontro com o outro? É preciso dar tempo a esse encontro, acolher a vida do outro, reconhecer que cada pessoa tem algo a me dizer. E redescobrir o valor da gratuidade.
Todas as irmãs se expressaram. Uma delas afirmou que é necessário partir de uma centralidade renovada: recolocar Cristo no centro — Ele, seus ritmos, suas prioridades. É importante reencontrar a rocha depois de ter caminhado sobre a areia. Uma comunidade que recomeça do coração, não das atividades, nem de tantas reuniões, mas do coração. De uma escuta mais profunda, de uma oração mais intensa, de maior fraternidade. Deixar que o Espírito Santo coloque ordem em nossa vida.
É essencial reencontrar a rocha sobre a qual construir. Por que voltar à rocha? Porque as tempestades chegam, porque as emoções mudam e nossas forças não bastam. Tudo isso exige fidelidade cotidiana.
O clima da assembleia e dos dias vividos juntas foi muito bonito: momentos de profundidade e oração, mas também de criatividade e passeio. Chiclayo é uma cidade com muitos táxis e mototáxis; era divertido subir nesses veículos por estradas não asfaltadas, cheias de buracos, terra, areia e vento. Tudo se tornava motivo para rir e estar bem juntas.

Algumas irmãs foram até Pimpingo, nos Andes, a aproximadamente 1.700 metros de altitude. Também ali viveram uma aventura, pois é tempo de chuvas: as montanhas se desmoronam, os rios transbordam, e elas ficaram muitas horas paradas em uma pequena cidade. Mas tudo foi ocasião de alegria e de descobrir coisas novas.


Com a Madre, foram dias intensos de trabalho, mas também de recreação e encontro pessoal. Todas retornamos com o desejo de nos comprometer novamente, de reconstruir — se caminhamos sobre a areia — reconstruir sobre a rocha. Carregadas dessa fraternidade que nos impulsiona a continuar nossa missão no Brasil e no Peru.







