A impressionante história de irmã Vitarosa, a religiosa que enfrentou o Ebola no Congo por amor aos pobres.
Nascida em 1943, nos campos bergamascos de Palosco, em tempo de guerra, Maria Rosa Zorza aprendeu muito cedo que a vida é feita de sacrifício, fé e confiança na Providência.
Sua família vivia mudando de uma fazenda para outra.
O pai, Angelo, trabalhava como administrador rural; a mãe, Maria, morreu quando Rosa tinha apenas dois anos, deixando sete filhos. Dessa dor nasceu nela uma força silenciosa e profunda.
As noites de sua infância tinham o som do rosário rezado em família, o perfume da polenta repartida e a dignidade pobre das famílias camponesas de Bérgamo.
Crescendo, Maria Rosa tornou-se uma jovem alegre, cheia de vida.
Ria o tempo todo.
Jogava bola com os meninos, andava de bicicleta até as irmãs de Malpaga, ajudava na paróquia, dava catequese e cuidava dos irmãos menores.
Quem a conhecia dizia:
“Quando ela chegava, já se podia ouvi-la de longe por causa da sua risada.”
Trabalhava numa fábrica de cabos de guarda-chuva em Telgate, ajudava a família e guardava no coração um sonho simples: amar e ser amada.
Aos dezoito anos apaixonou-se por um jovem chamado Giuseppe.
Durante dois anos fizeram projetos de vida juntos.
Mas, dentro do seu coração, crescia uma pergunta mais forte:
“É realmente isso que Deus quer de mim?”
Pouco a pouco compreendeu que Cristo a chamava totalmente para Si.
Entrou entre as Irmãs dos Pobres em 1º de setembro de 1966.
Recebeu o nome de irmã Vitarosa.
Nunca perdeu seu jeito espontâneo e luminoso.
Amava cantar, brincar e estar com as pessoas.
Mas, por trás daquela alegria, havia uma mulher forte, capaz de enfrentar enormes sacrifícios.
Estudou para tornar-se enfermeira profissional, embora estudar fosse difícil para ela. Dizia sorrindo:
“Sou mesmo cabeça dura… mas quero me tornar enfermeira para ir à missão cuidar das crianças.”
E o seu sonho se realizou.

Em 1982 chegou ao Congo, em Kikwit.
Diante dela encontrou uma pobreza indescritível: crianças desnutridas, doentes abandonados, hospitais sem medicamentos, pessoas que morriam porque eram pobres demais para pagar tratamento.
Muitos teriam desanimado.
Ela não.
Arregaçou as mangas e começou a amar.
Cuidava dos doentes com infinita ternura.
Acolhia os mendigos e lhes dava roupas.
Preparava enormes panelas de comida para as crianças desnutridas.
Sentava-se ao lado dos pequenos que já não queriam mais comer e contava histórias até que lentamente abrissem a boca.
Para ela, cada pobre tinha um rosto, um nome e uma dignidade.
Escrevia continuamente para a família contando os sofrimentos do povo africano:
“Aqui chegam doentes rejeitados por todos porque não podem pagar. Se nós também os rejeitássemos, estariam condenados a morrer.”
E, mesmo em meio à miséria, via a beleza daquele povo:
“Eu pensava que vinha aqui para levar alguma coisa… mas recebi muito deles.”
A África tinha se tornado sua casa.
Depois de um infarto e de uma grave isquemia, aconselharam-na a permanecer na Itália.
Ela respondeu:
“Se eu tiver de morrer, melhor morrer com o meu povo.”

Em 1995 chegou o Ebola.
Em Kikwit as pessoas morriam por toda parte.
Até suas irmãs religiosas caíam uma após outra.
Irmã Vitarosa sentiu que não podia ficar longe.
Preparou duas malas com 42 quilos de medicamentos e partiu.
Enquanto deixava a missão de Kingasani, cantava:
“Se na Igreja Jesus Cristo te chama, aceita servi-Lo de todo o coração.”
Todos choravam ao vê-la partir.
Ela, porém, sorria.
Em Kikwit velou as irmãs doentes, assistiu irmã Danielangela e permaneceu ao lado de irmã Annelvira mesmo quando o contágio assustava a todos.
Quando irmã Annelvira dizia:
“Não se aproximem, vocês também vão morrer”,
irmã Vitarosa continuava entrando.
Por amor.
O vírus a atingiu lentamente.
Quase não tinha sintomas, mas as forças a abandonavam dia após dia.
Os enfermeiros curados iam até ela para encorajá-la:
“Você também pode conseguir.”
Mas ela intuía a verdade.
Morreu na noite de 28 de maio de 1995, em silêncio, quase sem incomodar ninguém.
As irmãs disseram:
“Ela adormeceu no Senhor.”
Dela permanece a lembrança de um sorriso incansável, de uma mulher simples que nunca procurou heroísmo, mas apenas amar Cristo nos pobres até o último suspiro.
Sua vida continua ainda hoje a falar ao mundo.
Porque o verdadeiro amor não foge.
Permanece.
Serve.
Entrega-se.
Até o fim.






