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O PROGRESSO PODE EXISTIR SEM O BEM?

Construir no Bem: O Caminho para um Futuro Verdadeiramente Humano

Depois de apresentar a escolha entre Babel e Jerusalém, o Papa Leão XIV dá mais um passo na Encíclica Magnifica Humanitas.

Ele não se limita a perguntar que tipo de sociedade queremos construir.

Agora ele pergunta:

Sobre quais fundamentos estamos construindo essa sociedade?

Porque não basta construir.

É preciso construir bem.

E, segundo o Papa, uma cidade verdadeiramente humana não nasce apenas da tecnologia, da economia ou do poder político.

Ela nasce do bem comum.

O que diz o Papa

Leão XIV afirma que construir uma sociedade orientada para o bem comum exige, antes de tudo, construir sobre a relação com Deus.

Para muitos, essa afirmação pode parecer surpreendente.

Vivemos numa época que valoriza a autonomia, a eficiência e a capacidade humana de resolver problemas.

Mas o Papa recorda que existe uma sede mais profunda dentro de cada pessoa.

Um desejo de felicidade.

Um desejo de plenitude.

Um desejo de sentido.

Por isso ele recorda as palavras de Santo Agostinho:

“Nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Deus.”

Segundo o Papa, o ser humano procura felicidade em muitas direções.

No sucesso.

No consumo.

No poder.

Na tecnologia.

Mas nenhuma dessas realidades consegue preencher completamente o coração humano.

Quando esquecemos essa dimensão espiritual, corremos o risco de construir muito e compreender pouco o verdadeiro sentido da vida.

Aceitar que somos limitados

O segundo ponto apresentado por Leão XIV é particularmente atual.

O Papa afirma que construir no bem significa aceitar a fragilidade humana.

Vivemos num tempo em que muitas vezes somos levados a acreditar que todos os limites podem ser superados.

A tecnologia promete soluções para quase tudo.

A ciência avança rapidamente.

A inteligência artificial amplia possibilidades que antes pareciam impossíveis.

Tudo isso possui aspectos positivos.

Mas existe um perigo.

A ilusão de acreditar que a perfeição humana pode ser alcançada apenas através da técnica.

O Papa alerta que nem toda fragilidade é um defeito que precisa ser eliminado.

Nem toda limitação é um fracasso.

A vulnerabilidade faz parte da condição humana.

É justamente nela que aprendemos a solidariedade, o cuidado, a compaixão e a necessidade dos outros.

Uma sociedade que tenta eliminar toda fragilidade corre o risco de abandonar aqueles que mais precisam de ajuda.

O progresso que deixa pessoas para trás não é verdadeiro progresso.

Construir juntos

O terceiro passo apresentado pelo Papa é a corresponsabilidade.

Ninguém constrói o bem comum sozinho.

Nenhuma pessoa.

Nenhuma instituição.

Nenhuma tecnologia.

Leão XIV utiliza uma imagem inspirada novamente na reconstrução de Jerusalém.

Cada pessoa possui um pedaço da muralha para reconstruir.

Os cientistas.

Os professores.

Os trabalhadores.

Os empresários.

Os governantes.

As famílias.

As comunidades religiosas.

Todos possuem uma responsabilidade.

O futuro da humanidade não depende apenas das decisões de grandes líderes ou das maiores empresas tecnológicas.

Depende também das escolhas realizadas diariamente por milhões de pessoas comuns.

O Papa recorda uma verdade importante:

Nenhuma mão é forte o suficiente para carregar sozinha todos os problemas do mundo.

Mas nenhuma mão é tão fraca que não possa oferecer sua contribuição.

A força da sociedade nasce da cooperação.

A linguagem que constrói

Por fim, Leão XIV fala sobre algo frequentemente ignorado.

As palavras.

O Papa recorda que também construímos o mundo através da linguagem.

Existem palavras que aproximam.

E palavras que dividem.

Existem discursos que iluminam.

E discursos que alimentam medo, ódio e polarização.

Por isso ele convida todos a adotarem uma linguagem evangélica.

Uma linguagem que respeita a dignidade das pessoas.

Que procura a verdade sem humilhar.

Que corrige sem destruir.

Que dialoga sem abandonar as convicções.

Mais do que vencer discussões, o objetivo deve ser construir pontes.

Segundo o Papa, princípios como a dignidade humana, a solidariedade, a opção pelos pobres, o cuidado da criação e a busca da paz não devem permanecer apenas em discursos.

Devem transformar-se em ações concretas.

O que isso significa para nós

A reflexão de Leão XIV toca diretamente a nossa vida.

Como estamos construindo nossas famílias?

Como usamos a tecnologia?

Como tratamos quem pensa diferente?

Estamos ajudando a criar uma sociedade mais humana ou mais individualista?

Estamos construindo pontes ou muros?

Estamos promovendo o bem comum ou apenas interesses pessoais?

O Papa não apresenta respostas fáceis.

Mas oferece critérios seguros para discernir os desafios do nosso tempo.

Construir no bem não significa rejeitar o progresso.

Significa colocar o progresso a serviço da pessoa humana.

Significa recordar que a verdadeira medida do desenvolvimento não está apenas naquilo que somos capazes de produzir.

Mas na capacidade de promover a dignidade de cada pessoa.

Para refletir

O progresso que estamos construindo hoje está ajudando as pessoas a viver melhor, amar mais e crescer em dignidade?

Ou estamos correndo o risco de avançar tecnologicamente enquanto perdemos aquilo que nos torna verdadeiramente humanos?

Na próxima parte

Veremos como o Papa Leão XIV aprofunda um dos temas mais importantes de toda a Magnifica Humanitas:

Por que, na era da inteligência artificial, o maior desafio continua sendo permanecer humanos.

 

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