Na madrugada de 6 de maio de 1995, em Kikwit, no então Zaire, uma missionária italiana entregava a própria vida depois de anos dedicados aos pobres, aos doentes e aos esquecidos. Seu nome era Irmã Clarangela Ghilardi. Para muitos, ela era simplesmente “Irmã Clara”: alegre, simples, incansável, sempre pronta a servir.
Todos os anos, no dia 6 de maio, sua memória volta a tocar profundamente o coração das Irmãs das Poverelle, da Igreja e de todos aqueles que conhecem sua história. Não é apenas a lembrança de uma morte. É a memória viva de uma mulher que escolheu permanecer ao lado do povo africano até o fim.
Quando chegou a Kikwit, Irmã Clarangela já carregava dentro de si o desejo missionário que a acompanhava desde a juventude. Enfermeira e obstetra, dedicou sua vida ao cuidado dos mais pobres, especialmente dos doentes atendidos nos hospitais e dispensários da missão. Trabalhou também em Tumikia e Mosango, percorrendo longas distâncias para visitar os enfermos, muitas vezes em uma pequena motocicleta que utilizava para chegar mais rápido até aqueles que precisavam de ajuda.

Nas cartas enviadas à Madre Geral, transparecia a simplicidade de sua alma e a profundidade de sua fé. Em uma delas, escrita de Kikwit em 12 de junho de 1994, ela dizia:
“Estou contente de estar aqui em Kikwit, nesta comunidade, cumprindo assim a vontade do Senhor, dia após dia, aceitando as penas e dificuldades destes tempos críticos, lutando para ajudar os pobres.”
Seu serviço não se limitava à enfermaria. Ela ajudava na farmácia, na contabilidade do hospital, na vida da comunidade e em tudo aquilo que fosse necessário. Era conhecida por seu espírito alegre. Cantava, assobiava pelos corredores e procurava levar esperança até mesmo nos momentos mais difíceis.
Os relatos das irmãs que viveram com ela recordam uma mulher cheia de vida. Gostava de brincar, de conversar, de fazer rir. Mesmo diante do sofrimento, conseguia reacender a esperança nas pessoas. “Não se pode mandar pessoas tristes para a África”, lembravam as irmãs ao falar dela. “A África precisa de pessoas de esperança.”
Mas foi justamente em Kikwit que Irmã Clarangela viveria sua última missão.
No final de abril de 1995, ela começou a apresentar febre alta, vômitos e um forte enfraquecimento físico. Os médicos inicialmente suspeitaram de malária, uma doença comum na região, mas os sintomas pioravam rapidamente. As irmãs cuidavam dela com extrema dedicação, sem ainda compreender a gravidade da situação.
Naqueles dias, o medo crescia dentro da missão. Exames foram enviados para laboratórios na Bélgica. As cartas e fax trocados entre o Congo e a Casa-Mãe, em Bergamo, revelavam a angústia das irmãs e o esforço desesperado para salvar as doentes.
“É uma dura prova que o Senhor nos está pedindo”, escreveu uma das irmãs em 4 de maio de 1995.
Pouco depois, veio a confirmação da suspeita mais temida: tratava-se do vírus Ebola.
Mesmo muito debilitada, Irmã Clarangela continuava pensando nos outros. Nos últimos dias de vida, segundo testemunhas, repetia:
“Deixem-me ir ao encontro do meu Senhor.”
E ainda:
“Recomendo-te o Zaire, Senhor… Recomendo-te este país tão sofrido.”

Na madrugada de 6 de maio de 1995, às 1h35, Irmã Clarangela faleceu em Kikwit. Seu funeral aconteceu poucas horas depois, em meio ao isolamento imposto pela epidemia. Ninguém podia se aproximar. As próprias irmãs viviam uma dolorosa solidão, cercadas pelo medo, pela incerteza e pela perda.
Sem saber, Irmã Clarangela havia oferecido a própria vida naquele momento decisivo. Foi justamente a identificação dos sintomas apresentados por ela que ajudou a confirmar a epidemia de Ebola e permitiu a adoção de medidas urgentes de prevenção, evitando que ainda mais vidas fossem perdidas.
Seu testemunho de entrega total permaneceu vivo ao longo dos anos. A Igreja reconheceu oficialmente a profundidade de sua vida cristã e de sua missão, proclamando Irmã Clarangela venerável. Seu nome passou a ser lembrado não apenas pela tragédia de sua morte, mas pela beleza de uma existência inteiramente oferecida a Deus e aos pobres.
E o seu corpo repousa na terra africana, mas o seu testemunho continua vivo na missão das Irmãs das Poverelle e no coração da Igreja.
Assista ao vídeo completo no YouTube. Esse vídeo é mais do que uma recordação histórica: é uma experiência espiritual, é um encontro com uma vida que continua a falar.
Assista agora no YouTube e descubra a história de Irmã Clarangela.
Créditos: criação, roteiro, voz e trilha sonora — Ghibson Yuri e Irmã Ketty Folli
Introdução para a oração
Com fé e esperança, convidamos você a rezar esta oração pedindo a intercessão das Veneráveis Servas de Deus, que doaram suas vidas com amor no cuidado dos doentes e dos mais pobres.
A oração é um caminho de confiança em Deus. Pela intercessão destas irmãs, podemos apresentar nossas intenções, necessidades e sofrimentos, certos de que o Senhor acolhe cada pedido com amor.
Se, por meio desta oração, você alcançar uma graça, convidamos você a entrar em contato com as Irmãs dos Pobres Brasil, para que possamos acolher o seu testemunho e dar graças a Deus juntos.
Oração
Pela intercessão das Servas de Deus:
Irmã Floralba, Irmã Clarangela,
Irmã Danielangela, Irmã Dinarosa,
Irmã Annelvira e Irmã Vitarosa
Senhor, nosso Pai, nós te agradecemos por nos ter enviado teu Filho Jesus Cristo para nos salvar.
Com reconhecimento, recordamos as suas obras e os seus gestos de bondade, de compaixão e de amor por todos aqueles que sofriam devido as doenças:
físicas, morais e espirituais.
Também hoje, repletos de esperança, para tua maior glória, e do teu Filho, nosso Senhor, para nossa consolação, te pedimos humildemente de nos conceder a graça que desejamos…
Escuta-nos, por intercessão destas tuas Servas que com tanta generosidade se doaram a serviço dos doentes.
Obrigado, Pai !
Pai Nosso… Ave Maria … Glória ao Pai…







Respostas de 3
Muito lindo
Vamos rezar e pedir graças
Sua vida toda foi doação total pelos pobres: cuidou, acolheu e protegeu com amor e dedicação até o fim e hoje descansa nos braços do Pai Eterno. Santa Clarangela rogai por nós❗🙏🏾 Amém ❗🙏🏾